Modo sobrevivência
activado. Última etapa desta fantástica experiência chamada ENDURrun. Hoje
tínhamos a prova da maratona para percorrer.
O percurso era
composto por um circuito de 2 voltas que era relativamente plano à excepção de
2 subidas: uma aos cerca de 14 km da volta e depois uma rampa final entre nos
últimos 1.5 km da volta perto da meta.
A partida para a
prova estava marcada para as 7:30 de modo a se ter uma temperatura agradável
durante a mesma. Por distração pensei que apenas iria começar às 8:00 e quando
fizeram a chamada é que percebi o meu erro o que me deixou apenas com 5 minutos
para aquecer. Este percalço, a juntar-se ao nervoso miudinho com que estava
desde a manhã, fez-me desconfiar bastante desta prova.
O meu objectivo
hoje era apenas manter o 6º classificado da geral controlado (tinha cerca de 11
minutos de avanço para gerir) de modo a manter-me no top-5. Apesar de estar
cerca 4 minutos do 4º e a 5 do 3º, o facto de nunca ter feito uma prova desta
com esta distância e após uma semana tão dura (na verdade apenas tinha feito 3
treinos longos, entre 25 e 30 km, antes da ENDURrun), levava-me a crer, com
bastante certeza, que dificilmente daria para cobrir essa margem.
Sabia ainda todos
os problemas que normalmente aparecem nesta prova (problemas digestivos, falta
de hidratação, atingir o muro, etc) daí ter pensado começar num ritmo lento e
ir vendo como esta corria.
Já se sabe que
entre o pensar e o fazer vai uma grande distância e dei por mim novamente junto
do grupo que englobava do 3º ao 7º classificado da geral. O 1º (Matthew)
arrancou novamente sozinho por ali fora e o 2º (Pattrick) distanciou-se um
pouco à nossa frente. Ficava então um grupo formado pelo Stefan e Chris na luta
pelo 3º da geral, eu e Rick na luta pelo 5º lugar e o Mark a espreitar o 6º
lugar da geral. No nosso grupo seguiu também, durante alguns km, a 1ª
classificada da geral feminina (Mindy).
Até aos cerca de
15 km o grupo foi sempre junto e por sermos tantos as passagens nos
abastecimentos (colocados a cada 3 km) eram algo difíceis, mas mais uma vez uma
grande notou-se um grande espírito desportivismo com os atletas a trocarem as
bebidas e os géis sem qualquer problema.
Depois da
passagem dos 18 km começaram as mudanças de andamento no grupo tendo-se formado
2 sub-grupos (Stefan e Chris ligeiramente mais à frente e eu, Rick e Mark logo
atrás). Aqui tive o único susto da prova: comecei a sentir picadas na
articulação atrás do joelho e comecei a ficar preocupado por ser ainda tão
cedo. Decidi deixar os meus “adversários” passarem e optar por uma corrida com
postura mais relaxada o que ajudou a que as picadas fossem cada vez mais
espaçadas no tempo. Nesta altura tinha uma desvantagem de cerca de 10 segundos
para o grupo donde tinha saído e vinha na companhia da Mindy, que já vinha em
grande esforço e acabou por ficar para trás nessa altura.
A passagem à
meia-maratona foi feita em 1:30:05, num tempo muitíssimo mais rápido do que
aquilo que tinha inicialmente planeado. Foi aqui que a minha apoiante número 1
me deu as primeiras palavras de incentivo e um gel energético para tomar logo
de seguida.
Daqui para a
frente foi fazer sempre a prova sozinho tendo o Mark ficado para trás de mim à
1ª passagem pela meta. Mantive sempre o Rick em ponto de mira de modo a que ele
não fugisse demasiado e sempre tranquilo em não forçar demasiado o andamento
ainda com algum receio das picadas que senti antes.
Felizmente, nos últimos 20
km esse problema não aconteceu.
A passagem na 1ª subida mais dura da prova foi talvez o momento mais complicado
(eram cerca de 300 metros com alguma inclinação) pela dificuldade em manter o
ritmo a que seguia (apesar de não ter baixado o ritmo significativamente). Após transpor a subida foi rolar novamente estrada fora sem grandes problemas.
Continuei a fazer
bastante hidratação e a consumir alguns géis nas bancadas de abastecimento.
Tantas foram as bebidas (pequenas quantidades ainda assim) que à passagem pelos
35 km senti que a bexiga estava prestes a rebentar. Ainda assim aproveitei as
últimas 2 bancadas para uns goles de Gatorade e mais único gel energético.
À entrada para os
39 km e com cerca de 2 minutos de atraso para o Rick, decidi que à passagem aos 40
km iria forçar o andamento, se bem que não fosse ganhar nada com isso, apenas
para mostrar que ter feito um top-5 nesta prova não foi uma mera coincidência.
Assim foi e aproveitei o facto de ser a subir e aqui tive de me lembrar da
etapa ganha após sobe e desce constante para ir buscar forças aos sítios mais
escondidos e para acabar a prova o mais forte possível. Acabei por o fazer e
terminei os 42.48 km em 3:02:05, o que perfaz uma média de 4:17 / km, tendo
acabado em 6º lugar na etapa suficiente para manter, por larga margem o meu 5º
lugar da geral.
As passagens a
cada 5 km podem ser vistas na tabela seguinte (nem foi uma quebra assim tão
grande na segunda metade da prova). Mais detalhes da prova podem ser visto aqui
(http://connect.garmin.com/modern/activity/567658837) ou aqui (http://www.strava.com/activities/181692536).
Passagem ao km
|
Tempo
|
5
|
20:59
|
10
|
20:50
|
15
|
21:29
|
20
|
21:33
|
25
|
21:43
|
A passagem pela
meta foi o melhor momento, pois além de ter terminado esta aventura
espectacular, tinha ainda à minha espera a Susana para me dar os parabéns por
toda esta semana J
Mais uma vez,
comparativamente com a prova do ano passado, o meu tempo hoje dava para ganhar
a etapa com cerca de 1 minuto de vantagem.
A prova acabou
por ser ganha pelo Stefan que acaba por fazer um split negativo de 5 minutos na
segunda metade da prova e que não chega ao 3º lugar por escassos 8 segundos!
Em termos da
classificação geral acabei em 5º lugar (como já tinha referido) com um tempo
total 11:32:05, que dava para vencer no ano passado com cerca de 10 minutos de
avanço. No entanto, estou extremamente satisfeito com a minha prestação
especialmente tendo em conta o tipo de prova que era.
Após uma boa
sessão de massagem seguiu-se o reabastecimento de combustível e desta vez não
poupei em toda a excelente comida preparada mais uma vez pelos voluntários
desta prova.
Depois a entrega
dos prémios e do convívio seguiu-se os momentos das despedidas (e
agradecimentos públicos) e fui bastante cumprimentado por aqueles com quem mais
directamente competi nestas últimos 8 dias (o top-7 da prova). A culpa foi
também deles, por me terem forçado a aumentar (tanto) os meus níveis
competitivos, que não pensava ter.
Agora seguem-se
pelo menos 2 semanas de férias (bem merecidas) e depois iremos preparar a
próxima época.
No próximo post
irei (após deixar assentar toda esta experiência) fazer um resumo de toda esta
semana, incluindo as minhas previsões para cada uma das etapas bem como agradecer a todos aqueles que, de alguma maneira, marcaram e ajudar a ultrapassar esta semana.
Resta-me
agradecer a todos pelos incentivos e dicas que foram dando ao longo dos últimos
dias que foram muito apreciados.
Um muito obrigado
a todos J
João