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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Horror Hill Trail Run 25 km - Uma vitória saborosa :)

Um treino longo e com um ritmo mais ou menos forte. Era esse o meu objectivo para este último Sábado, naquele que deverá o meu treino mais longo até ao fim do ano.

A primeira coisa a salientar é que pensava que a prova era no domingo e o plano de treinos para esta semana foi feito nessa perspectiva. Quando descobri que afinal era um dia antes do previsto, lá teve de ser mas não houve nenhuma alteração no plano inicial pois o objectivo era fazer mais uma prova de preparação.

O dia começou fresquinho, não tanto como, já tem sido hábito, mas ainda assim fresco. Às 7 e 45 da manhã estava a apanhar boleia para a prova pois o autocarro que passava mais perto do local da partida ficava a cerca de 4.5 km.

Depois de me equipar e fazer um ligeiro aquecimento para conhecer o percurso desloquei-me para a partida da prova.

Os 25 km iriam ser percorridos em 10 voltas, num percurso com uma extensão de 2.5 km. Quanto ao perfil da volta esta consistia numa seção inicial com descida ligeira até darmos a volta a um pequeno lago. Depois surgiu uma “parede” com cerca de 20 metros que fazia perder o embalo com que se vinha. Depois dessa “parede” mais umas subidas durantes não muito acentuadas até à placa de 1 km. A partir daí e até ao fim da volta era um sobe e desce constante, mas sem enormes variações de altimetria.

O percurso era bastante giro pois estamos no Outono e as folhas das árvores cobrem todo o trilho. Isso obriga a uma atenção redobrada de modo a ver onde colocam os pés para evitar surpresas com os troncos e pedras escondidos.
Um pouco do tipo de ambiente que nos rodeava.
Neste dia ocorriam 5 provas em simultâneo: 5, 10, 25 km e ainda 3 e 6 horas a correr. Apenas conhecia 2 dos atletas ali presentes e que iriam competir (ou pensava eu) directamente comigo.
Após o tiro de partida 3 atletas foram para a frente da prova e eu fiquei um pouco atrás a ver no que isto ia dar. Pensava que os 3 estavam a competir directamente comigo nos 25 km e pelo ritmo que estavam a impor decidi não acompanhar logo para não me dar o abafo demasiado cedo.
Início da prova.
Na 2ª volta comecei a ver que a tal parede não estava a ser muito fácil de passar para os atletas da frente e nessa seção até à marca do 1º km apertei um bocado o ritmo para me chegar mais à frente. Nessa altura subi a 3º da geral. No fim da 2ª volta vi o primeiro atleta a encostar na meta: a prova dele era de apenas 5 km! Bem, assim passei a 2º da geral com cerca de 10/20 metros de diferença para o primeiro classificado. Novamente na zona da parede novo ataque e passei directo para a frente para não correr o risco de lhe dar boleia por ali acima. Vi que ele não conseguiu acompanhar e então forcei mais um pouco para aumentar a distância que no separava.

Nesta altura já estava a ultrapassar muitos atletas que estavam nas restantes provas o que implicava m atenção redobrada a onde colocar os pés durante a prova. 
Já na frente da prova.
As restantes 2 voltas não tiveram grande história indo sempre eu na frente sozinho. À passagem para a 5ª volta, vi que o atleta que eu tinha passado na 3ª volta também já tinha encostado, ou seja, a prova dele era a de 10 km! Pensei se não teria forçado o ritmo demasiado cedo na prova, mas depois convenci-me que me tinha de aguentar à bomboca por ter arriscado tão cedo na prova.
Já me estava a dar o calor então os apetrechos para o frio tiveram de sair.
Uma das coisas boas deste percurso é que na passagem do lago dava para ver quem vinha atrás pois era um ponto de cruzamento de percursos. E já tinha reparado que o Dave (o único atleta que conhecia de outras corridas) estava com cerca de 150/200 metros de atraso para mim e que tinha sempre a companhia de outro atleta (Neil). O meu objectivo passava por a cada volta tentar, no mínimo, manter essa distância naquele ponto.

A cada volta que fazia e consequentemente a cada “parede” que transpunha as pernas iam ficando cada vez mais pesada e as transições para as zonas de plano já não saíam tão naturalmente. Foi altura de cerrar os punhos e carregar comigo por ali acima sempre que o corpo ficava mais pesado. Nas voltas 6, 7 e 8 a distância entre mim e o Mark continuava bastante constante e eu achava que se não estava fácil para mim então também não devia estar para eles.
Entrada para a 7ª (?) volta.
Foi com o pensamento de vitória na cabeça que fiz as últimas duas voltas. Só pensava coisas do tipo: “depois de estar na liderança tanto tempo não ia ser agora que vais ficar para trás” ou “se acordas todos os dias às 5:30 para treinar é bom que hoje vás buscar os frutos desse trabalho”. Bem pensado e melhor feito, na última passagem pelo lago vi que a distância continuava a mesma e senti que iria ganhar a prova. Os últimos 200 metros foram a sorrir para a foto na linha de chegada :)

Acabei a prova com um tempo final de 1:48:22, o que perfaz um ritmo de 4:21 no total dos 25 km. Na verdade o Garmin apenas marcou 23.90 km, mas quando fui fazer a minha voltinha ao percurso para fazer recuperação activa tive a marcação de 2.5 km da volta, por isso o problema era as muitas curvas e a vegetação que ainda restava.
Fim de mais uma prova e com uma vitória saborosa.
Entre a volta mais lenta e mais rápida foram cerca de 30 segundos de diferença o que indica um ritmo algo certinho do princípio ao fim. Mais detalhes da prova podem ser visto no Garmin ou Strava.

Seguiu-se depois não uma mas duas massagens, pois cerca de 1 hora depois da primeira massagem e de ter ido fazer uma volta a pé ao percurso para apoiar os atletas das 6 horas as dores musculares apareceram e lá fui eu sofrer mais um bocado nas mãos dos terapeutas.

Ainda hoje, 2 dias depois da prova, sinto dores musculares algo que já não me acontecia há imenso tempo.

Na entrega dos prémios ainda recebi um vale de 50$, pela minha classificação, para gastar em material desportivo e uma camisola técnica. Nada mau :)

Agora é continuar a treinar e a suportar o frio que agora de avizinha.

Para quem estiver interessado: criei uma conta no Twitter!

Até à próxima, bons treinos e melhores corridas.

João

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

ENDURrun 2014 - Etapa 5 - 25.6 km Corta-mato de montanha

Dureza em estado puro! 
É aquilo que se pode dizer destes 25.6 km de corta-mato em montanha. A prova é composta por um total de 5 voltas cada uma com uma extensão de 5.12 km. A volta começa com uma subida gradual durante cerca de 1 km em terra batida e com muitas pedras soltas. Segue-se depois uma pequena seção de trail muito técnico com descidas muito inclinadas e constantes curvas com pouco espaço de manobra, naturalmente que nesta seção é um constante sobe e desce, com uma última subida curta mas dura que nos leva a uma descida de aproximadamente 300 metros quase a pique de modo a enfrentar o “monstro” que todos temem. Esse “monstro” é basicamente uma colina com cerca de 400 a 500 metros que é usada como pista de ski. Só daqui se pode ver qual a inclinação da mesma. 
Parte do "monstro" que tínhamos de ultrapassar por 5 vezes
Depois de ultrapassada esta parte novo percurso de trail ainda mais técnico as subidas são ligeiramente mais complicadas mas com algumas zonas onde é possível arriscar um pouco mais para tentar ganhar tempo. Em seguida nova descida a pique de cerca de 250 metros para última entrada num sector de trail que é usado como pista de btt, o que dá direito rampas de madeira usada para as bicicletas. O problema é que estas eram bastante instáveis e muito estreitas, o que com as constantes sequências de curvas não ajudava muito. Após este último segmento mais 250 metros a voar até à meta e depois “bastava” repetir mais 4 vezes.

Ontem fiz uma corrida ligeira para soltar os músculos a que se seguiu um banho de gelo durante cerca de 15 minutos e depois foi alongar e 2 horas de massagem para recuperar das primeiras 4 etapas.
Antes da prova fiz o habitual ligeiro aquecimento e apesar de já me ter sentido melhor noutros dias antes da prova confesso que não esperava responder tão bem à dureza da mesma. Sabia que hoje teria de ser um dia para forçar de modo não perder muito tempo para os atletas da frente e se possível ganhar algum para os que estavam atrás de mim.

Após o início da corrida, com uma temperatura fresquinha para a altura do ano, rapidamente 2 atletas fugiram (o Patrick que rebentou com a concorrência e ganhou com enorme vantagem e o Matthew que é aquele que tem maiores possibilidade de ganhar esta prova pela qualidade que tem vindo a demonstrar ao longo dos dias). Ficámos apenas 6 atletas (eu, Chris, Stefan, Rick e mais 2 da estafeta). Não tardou muito a que o ficasse apenas eu, o Chris e o Stefan seguidos de perto pelas equipas da estafeta. Até à 4ª volta não houve muita história, fomos alternando a liderança do grupo (eu a puxar na subida grande e no percurso de trail com mais curvas e subidas) e o Stefan a puxar na subida inicial e a fazer as descidas todas. Os últimos 20 metros do “monstro” eram sempre feitos a andar rápido pois era mais eficiente fazê-lo assim do que a correr devido à inclinação final.

Na subida mais difícil da 4ª volta houve um ataque do Stefan a que não tive pernas para responder e optei por seguir no meu ritmo seguido pelo Chris. Tentei depois recuperar o ligeiro atrasado para o Stefan arriscando mais no percurso de trail. Numa subida final da penúltima secção de trail acabei por sofrer uma queda que me fez perder algum ritmo e que senti dificuldade em retomar o andamento. Acabou por aproveitar o Chris que depois de me ajudar a levantar acabou por seguir e eu decidi continuar no meu ritmo.

Na última volta foi dar o tudo por tudo para tentar recuperar os segundos de diferença mas fazer as subidas e os percursos mais técnicos sozinhos foi bem mais difícil do que acompanhado. Nesta altura só me lembrava da única prova de trail que tinha feito até ao momento e daí até ao fim foi arriscar ao máximo nas subidas e tentar fazer as subidas e curva e contra-curvas do modo mais eficiente possível (se bem que a minha destreza não permitisse grandes variações de ritmo especialmente nas curvas mais apertadas). Ainda tive tempo de tropeçar mais uma vez no mesmo sítio onde tinha caído, mas desta vez sem consequências de maior.

No final acabei por perder um pouco mais de 1 minuto para o Stefan e para o Chris, o que não foi mau tendo em conta todas as incidências.

Acabei os 25.85 km em 02:11:00, o que perfaz um ritmo de 5:04 / km e que comparativamente com o ano passado dava vitória por mais de 7 minutos! Claramente que devia ter feito isto o ano passado J
Perfil da etapa
As 5 voltas do percurso foram feitas parciais de 26:02, 26:12, 26:14, 25:45 e 25:32, mostrando que mesmo com a queda foi possível forçar um pouco o ritmo e fazer uma segunda metade da prova mais rápida que a primeira, algo que para mim não é muito comum. Mais detalhes sobre a prova podem ser encontrados aqui (http://connect.garmin.com/modern/activity/565754536) ou aqui (http://www.strava.com/activities/180693126).

Além do cansaço físico hoje houve também muito cansaço mental pois era necessário estar sempre atento ao percurso para não colocar os pés em nenhum sítio que pudesse resultar em algum precalço. É possível que isso tenha ajudado na minha queda e do tropeção dado na última volta, mas de resto senti-me bastante bem.

Hoje tive o privilégio de houver apoio em Português o que me soube muito bem J

Após uma massagem pós-corrida para recuperar um pouco do esforço, seguiu-se a parte do banquete de doces e de alguns hidratos de carbono, fundamentais depois do esforço de hoje. Mais uma vez a comida preparada pelos voluntários estava um mimo.

Hoje temos um barbecue oferecido por um casal de participantes onde iremos aproveitar para confraternizar mais um pouco, tal como ocorre depois de todas as corridas.

Amanhã tem lugar o contra-relógio de 10 km onde serei o 5º da contar do fim a partir em virtude de ter subido a 5º lugar na geral. Ainda não pensei como será a minha estratégia para amanhã pois no Domingo temos a maratona.

Obrigado novamente a todos que me têm dado apoio ao longo desta aventura!


João