quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Rocks and Roots Trail Series - 30 km

Estou de volta!
Depois de cerca de 2 semanas de féria em Portugal regressei ao tempo gelado de Columbus e fiz a primeira prova do ano.
Nessas 2 semanas aproveitei para me esticar nas porcarias que como e lá houve um aumento de 2 kg na balança. No entanto, deu para fazer uns treinos interessantes (aqui e aqui) aproveitando o facto de estar bom tempo e ter o desnível que não existe em Columbus.
A prova que fiz neste domingo foi de trail com uma extensão de 30 km. Ainda ponderei fazer só os 20 km, uma vez que as últimas semanas de treino têm tido pouco volume e são basicamente à base de corrida contínua, Além disso ainda tinha na memória a última corrida de trail que fiz ainda no Canadá e que não foi a melhor sensação do mundo.
Antes da prova tive de arranjar boleia e a minha sorte foi que o Eric que faz parte do grupo que corre na zona da prova se voluntariou para me ir buscar e levar a casa. Caso contrário teria sido giro arranjar maneira de chegar ao meio do mato onde a partida estava.
Saída de casa pelas 7 da manhã com o termómetro a marcar -15 ºC e sensação de -20 ºC. Tudo óptimo portanto.
Assim que chegamos à meta faço um aquecimento ligeiro de 10 minutos só para meter o corpo a trabalhar. Nessa altura tive de pedir ao Eric umas barras que são usadas para aquecer as mãos pois já não as sentia.
Siga para a linha de partida e toca a correr. Rapidamente fico no grupo da frente com mais 2 atletas que não sabia se estavam a fazer os 20, 30, 40 ou 50 km que havia disponíveis.
O percurso não estava mau, muita neve solta ainda e a dar para correr sempre.
Tipo de percurso que nos esperava (nas partes planas)
 A parte boa era que os rio que tínhamos que passar estavam congelados... A parte má também. Aqui o menino sempre que se deparava com estas travessias lá ia ele feito pinguim em passos de bébe para não ir com o rabo ao chão.
À minha que a prova ia decorrendo os 2 da frente aumentaram o ritmo e deixei-os pois a prova era longa e ainda havia muita prova.
Fui entretanto apanhado por um atleta que vim a saber durante a prova que é um dos melhores ultramaratonistas dos USA, o Harvey Lewis. Ele perguntou-me de onde era e quando eu disse que era de Portugal fez uma festa pois vai lá várias vezes treinar e é amigo do Carlos Sá. Como o mundo é pequeno. Durante a prova ele bem disse que tínhamos de tirar uma foto, mas como tive de ir embora antes de ele acabar a prova dele apenas ficou esta aqui de baixo.
Partida com o Harvey à direita na foto de verde (Foto de CapCity Sports Media)
Lá ía eu a marcar-lhe o passo (ele ia fazer os 50 km) e na conversa quando já na segunda volta um momento de distração e vou ao chão, quando estou a cair e a olhar para trás só o vejo a fazer a mesma coisa. Sacana do tronco da árvore que decidiu meter o nariz de fora naquela altura. Nada disso quebrou o ritmo e lá continuei a seguir à vontade com ele sempre atrás de mim.
Pouco depois da entrada da 3 volta ultrapassámos um atleta que tinha fugido no início da prova, pelo que sabíamos que estávamos agora na dianteira.
Os problemas começaram nesta última volta (para mim) como muitas pessoas já por ali tinham passado a neves já não lá estava e só o gelo restava. Com o percurso era cheio de curvas e este jovem achou que era bom correr com ténis de estrada, tudo o que era um desvio mais apertado implicava a procura de um ramo de árvore para não ir ao chão.
Nunca das descidas mais complicadas da prova (cerca dos 27 km) o Harvey acabou por passar e depois foi vê-lo arrepiar caminho por ali fora como se nada fosse.
A mim as forças começavam a ficar justas o que não ajudava o muito frio e ter feito toda a prova sem beber ou comer nada. E sobre este assunto vai ter de vir um post pois experienciei umas coisas diferentes do habitual.
No final acabei a prova em 1º lugar da geral em menos de 2 horas de 45 minutos, se bem que os últimos 3 kms foram feitos a passo de caracol. Acabei por na última volta recuperar cerca de 2:30 minutos de atraso para o atleta que seguia à minha frente e ainda abrir a vantagem para perto de 4 minutos!
Depois vou trocar de roupa, vestir 7 (!) camisolas e ficar 1 hora dentro de uma carrinha aquecida para parar de tremer do frio. Sim porque aqui o menino era dos poucos que ia de calções e além disso com uma camisola técnica normal e só o corta-vento em cima... Acabou por dar para tirar este boneco no final da prova.
Aquele calor esquisito que deu origem a esta barba cheia de estilo (foto de CapCity Sports Media)
Dois dias depois da prova ainda estou bastante dorido nas articulações (até nos braços de me agarrar aos ramos das árvores para não cair) e com umas quantas feridas e nódoas negras tal foi a agressividade do percurso.
Agora é continuar a treinar, se bem que esta semana vai ser mais suave para poder recuperar, e continuar a fazer segunda pré-época pois as condições climatérias não permitem andar a fazer treinos rápidos ou de pista.
Até à próxima, bons treinos e melhores corridas! :)