quarta-feira, 27 de julho de 2016

Dirty... Parte II

Bem depois da primeira parte da secção "Dirty" vem agora a sua continuação.

Como tinha dito no post anterior quando cheguei aqui ao Canadá andei a ver se havia alguma prova que eu pudesse encaixar no tempo que cá estava com duas condicionantes: os meus treinos andavam a ser feitos com pouca intensidade (apenas um treino mais ou menos rápido por semana) e pouco ou nada havia de treinos longos (sendo que desde o recomeço depois da lesão o treino mais longo tinha sido de 19 km sem forçar).

Ora tudo muito bem encaminhado para ter dado por terminada a época de provas após a Dirty Dash quando recebo no facebook uma mensagem do Dave Rutherford a dizer que tinha alterado uma prova de ultra running dele e que me poderia dar boleia para essa mesma prova mas num formato de menor extensão.

Fui investigar e vi que esse formato menos eram 32 km em trail. Lembram-se de eu ter dito que o treino mais longo tinha sido de 19 km certo? O que é que uma pessoa deve dizer nessas situações? Não obrigado e fica para a próxima. O que é que o menino aqui disse? Claro que vou! O que é que pode correr mal?

Com menos de uma semana para me "preparar" em que consistiu o meu menu de treinos da semana? Simplesmente rodar devagar para tentar chegar à prova com a energia reposta. Sabia que o mais provável era que ficasse sem pernas a meio da mesma, mas a verdade é que depois do tal treino de 19 km (que passou por zonas com muitas subidas) deveria chegar até aos 20 e poucos kms sem grandes dificuldades. Daí para a frente logo de veria como seria.

Dia da prova e toca a sair de casa à 6 da manhã para cerca de 1 hora e 45 de viagem até à partida na companhia do Dave. Viagem tranquila, em cenários rurais com longas rectas e que passou num instante.

Nesse dia estavam previstos 30 e poucos graus e muita humidade pelo que a hidratação seria algo fundamental. Esta prova seria composta de 4 voltas de 8 km num percurso de trail (sempre corrível mas em constante sobe e desce) e que tinha 2 subidas duras em cada volta.

Depois da partida das provas de 6, 12 e 24 horas iríamos ser nós a arrancar. Sabia que havia 1 atleta que ia lá para rebentar com aquilo e logo se pôs de parte a ideia de alguém tentar ir com ele. Depois haveria o Neil e o Dave, onde já tínhamos protagonizado um duelo interessante em 2014 na Horror Hill trail run e que eu acabei por ganhar. Além disso iria estar também o Justin que costuma andar ao ritmo do Dave e companhia.
Yeah! Correr 32 km sem preparação! O que pode correr mal?
Assim que se dá a partida tive de decidir ou ia naquele grupo (que estava bem mais preparado para a prova que eu) ou  iria fazer a grande maioria da prova sozinho. E qual foi a escolha? Claro que vou atrás deles. Como pode isso ser uma má opção?

Como esperado ficou o nosso grupinho isolado com 2 atletas à frente que partiram logo muito forte. Até aos 4 kms fui sempre no fim do grupo a tentar estar o mais relaxado possível, nunca forçando nas descidas por via que nas subidas recuperava alguma distância perdida a descer.

No abastecimento dos 4 km fiz uma paragem mais rápido que os outros atletas para beber alguma coisa e fiquei na frente do grupo sempre à espera que alguns dos outros 3 colegas viesse para a frente marcar o ritmo. Tal acabou só por acontecer na entrada para o meta numa ligeira descida.

Depois de apanhar mais um bocado de abastecimento na meta fiquei novamente à frente do grupo e lá fomos os 4 sempre juntinhos para mais uma volta. Aqui não houve nada de especial a acrescentar apenas que o calor ia apertando cada vez mais.

Ao fim da segunda volta fui apanhar um gel pois anteriormente já me tinha dado bem com aquilo. Só que isso tinha sido em 2014 e não sabia se o meu corpo iria reagir muito bem a isso. Bom, logo se via como isso corria, mas a verdade é que a minha barriga começou logo a fazer barulhos não muito tempo depois de ingerir o gel.

No fim da terceira volta estávamos apenas eu, o Dave e o Neil e lá fui eu novamente buscar mais um gel e no caminho acabei por mandar um pontapé numa tenda que por sorte não me fez cair nem a desmanchou toda.

Até à entrada para a 4ª volta estava quase tudo a correr bem: pernas soltas mas um pouco pesadas e estava a conseguir seguir no ritmos do Dave e Neil. O único senão era a minha barriga que dava cada vez mais sinal que alguma coisa não estava muito bem. Mas já só faltavam 8 km e isso faz-se num instante certo?

Não, não faz. Passei mal, muito mal mesmo entre os 26 e 28 km. Houvesse uma merceria no meio da prova tinha ido lá direitinho, mas não havia e à custa de muito poder da mente lá meti na cabeça que já estava mesmo quase a acabar a prova. Neste altura já o Dave e o Neil tinham ido embora pois tive de reduzir um pouco o ritmo para poder chegar ao fim da prova. Qual não é a minha surpresa quando ainda antes do último abastecimento torno a apanhar o Neil que por sinal já vinha em perda também.

Seguimos juntos e passado um pouco apareceu o Justin que fez uma bruta recuperação. O Neil aproveitou a boleia e seguiu com ele eu deixei-me ficar um pouco mais atrás.
Socorro que isto nunca mais acaba!
E eventualmente acabei por chegar à meta no 6º lugar da geral e em 1º do escalão. Depois aí é que foram elas, passei mal da barriga o que me obrigou a estar a repousar umas 2 horas só à espera que o estômago deixasse de andar aos saltos. Acho que a minha cara de sofrimento é bem visível aqui.
E esta cara de sofrimento?
Valeu a pena? Sim, a corrida era porreira tudo corrível e no final ainda deu para lembrar mais uma lembrança para casa. Fica para recordação que não devo fazer este tipo de aventuras sem o mínimo de preparação. Não correu assim tão mal quanto isso, mas nunca se sabe da próxima vez.

E pronto foi uma boa maneira de terminar a época!

Bom treinos e melhores corridas! :)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dirty... Parte I

Bom já cá não punha os pés há imenso tempo. E porquê? Bem uma lesão estúpida (não sei como apareceu nem como acabou por ir embora) deitou por terra toda a temporada numa altura em que me sentia extremanente bem e a fazer treinos de qualidade.

Foram quase 2 meses parado até ao início de Maio e basicamente daí para a frente limitei-me a fazer treinos de corrida contínua a ritmo confortável para ir ganhando confiança e para não ficar uma bolinha. Uma vez por outra lá ia dar um salto à pista para fazer de pacemaker ao Rodrigo e sempre dava para apertar um bocadinho mais em termos de velocidade.

A ideia seria só andar nesta vida até ao fim da época, mas depois vim dar um salto ao Canadá e bem lá comecei a procurar uma prova para fazer.

É engraçado que mesmo passado dois anos de ter cá estado muita gente me reconhece quando vou a fazer voltas mais longas e fazem mesmo questão de parar o treino (ou o carro) para vir falar comigo.

Mas quanto às provas: depois de indagar o pessoal aqui da zona vi que a minha única possibilidade era fazer a Dirty Dash que já tinha feito na última vez que cá estive.

Ora quando uma pessoa não tem carro tem de arranjar maneira de dar a volta ao problema... só que o problema é que autocarros também não havia. Solução? Correr de casa até ao início da prova e esperar que este super aquecimento não deixe muitas marcas durante a prova.

Depois de galgar os cerca de 8 km até à prova com algumas subidas puxadinhas foi tempo de dizer alguns "olás" aos meus conhecidos e ir para a meta, pois tinha feito as contas para chegar com cerca de 5 minutos de avanço para o início da prova.

Partida dada e rapidamente um atleta se coloca no 1º lugar e logo vi que não ia ter pernas para o acompanhar pelo que o deixei ir. À medida que vamos progredindo na prova o terreno em constante sobe e desce em terra batida ou relva apresenta alguns obstáculos extra, nomeadamente passar 2 vezes um rio

Sabendo da minha aptidão naturalmente para a transposição de obstáculos tentei descolar o máximo possível do 3º classificado ganhando uma vantagem de cerca de 50 m. Mas veio a primeira travessia e logo o senti a colar-se a mim. Novo esticão e mais um pouco de vantagem ganha e aquando da 2ª passagem pelo rio, onde é preciso passar por cima de um tronco, essa vantagem foi toda ao ar novamente.
Final da 1ª volta (Foto de Julie Schmidt)
Terminada a primeira volta mantinha-me em 2º lugar e tentei novamente forçar o andamento porque sabia que da maneira como estava a perder tempo nas transposições da água mais cedo ou mais tarde ia ficar para trás. Acabou por ser mais tarde do que mais cedo: na 2ª travessia da 2ª volta fui ultrapassado ainda dentro do rio e quando saí já tinha uns 30 metros para recuperar.

Ainda recuperei um pouco a desvantagem na última subida final mas insuficiente para chegar ao 2º lugar.

Como estava folgado de tempo antes de atravessar a meta tirei os ténis e o relógio, Porquê? Bem é só ver abaixo...
A chegar à meta (Foto de Julie Schmidt)
E pronto no final deu um 3º lugar da geral, tal como em 2014, numa prova onde não me senti muito confortável (cansaço ou provamente falta de pernas para ritmos altos).

Mas foi giro e deu para rever gente amiga!

Mas pera... se o título diz "Parte I" qual é a II? Vai sair dentro em breve ;)

terça-feira, 8 de março de 2016

Trilhos do Javali Nocturno

Isto de fazer provas de trail em que o desnível total da mesma é superior ao que faço numa semana de treinos não augura nada de bom certo? Bem já lá vamos.

Antes de mais um pequeno enquadramento, esta época devido à impossibilidade de fazer séries em pista optei por apostar um pouco mais que o costume em provas de trail, se bem que continuarei a fazer provas de estrada pontualmente.

Os treinos têm andado a correr bem e tenho-me sentido bem nos mesmos, o que é o mais importante.

Ora no sábado fui até Setúbal para fazer a 1ª edição nocturna dos Trilhos do Javali. No programa eram 15.5 km com desnível acumulado de cerca de 650 m. Ora tendo em conta que isto é o que eu costumo ter de desnível no fim de uma semana de treinar sei que me podia arrepender da escolha algures a meio da prova.

Depois de uma partida simbólica foi altura de dar corda aos sapatos.


A primeira coisa que vi foi que a minha lanterna não servia para o pretendido. A luz era muito mais fraca que o resto da malta (possivelmente por estar metida na gaveta durante 3 meses...). Ora se a descer com luz durante já me custa devido à minha falta de jeito, com pouca iluminação ainda pior.

Nos primeiros kms ainda fui com o grupo da frente uma vez que eles iam iluminando o caminho à frente, mas com a passar do tempo começou a ser cada vez mais difícil de os acompanhar. Pelos 5 km, altura em que estava algures pelo top-20 da prova, formou-se um grupo onde nos restantes 10 km de prova raras foram as vezes em que não fui eu à frente a puxar.

Como resultado era sempre eu o primeiro a descobrir os paus e buracos mais complicados que apareciam. Como resultados num desses buracos dei a minha 1ª queda na prova, mas nada de preocupante e fui novamente buscar a frente do grupo.

Algures nos últimos 10 kms finais apareceram as verdadeiras paredes da prova. Aí não houve volta a dar, era subir como o Armando: um bocado correndo, um bocadinho andando. O que acabei por descobrir é que nesta subidas a maior parte da malta seguia exactamente aquilo que eu fazia: se eu andasse na subida eles andavam, se começasse a correr idem.

Algures pelo meio da serra (Foto de Runners Dream Moments)
E finalmente percebi porque motivo porque vejo tanto gente a queixar-se das unhas dos pés depois desta provas. Com tanta descida também eu acabei por ficar com os dedos dos pés todos negros.

Esta prova foi a 1ª prova de trail onde fui com ténis para o efeito: os Salomon Cross Speed 3. É completamente diferente fazer uma prova destas com ténis adaptados para o terreno ou não (já me chegou a experiência no Brasil). Muitas vez me permitiram não ir com o corpo ao chão. Um dia destes faço um review sobre estes meninos.
Parecia que estava um pouco de frio (Foto de Lebres do Sado)
Ainda antes de terminar a prova ainda tive direito a mais uma queda, desta vez mais complicada que a primeira. Num descida curta mas muito íngreme, um atleta cortou-me a curva e para não lhe bater tive de ir para onde não havia sítio decente onde meter os pés. Resultado: mergulho em direção ao chão mas sem consequências por demais.

Nos últimos 4 kms de prova tentei por várias vezes forçar o ritmo do grupo para me descolar deles. Só quando fiz 2 ou 3 simulações de andar e correr numa das últimas subidas é que consegui finalmente abrir espaço para me ir embora. No entanto não durou muito. Numa bifurcação as fitas do percurso eram confusam e acabei por seguir pelo caminho errado, levando comigo o resto do grupo. Cerca de 400 metros mais adiante é que nos avisaram que estávamos no caminho errado e tivemos de voltar atrás, onde desta agora estava eu na cauda do grupo.

Depois de recuperar novamente a dianteira do grupo seguimos pelo caminho certo e tornei a acelerar na descida, apesar de andar sempre receoso do sítio onde punha os pés.

Acabei por ficar com apenas mais um atleta que tentei fazer descolar nos últimos 400 metros de subida na direção da meta. Apesar de ganhar ligeiramente uns metros fui alcançado no últimos 50 metros e daí até à meta foi um sprint para chegar na frente, o que acabou por acontecer.

No final acabei a prova com 1:33:15, mas com cerca de 4:30 e 800 metros a mais que o previsto, o que me daria 23º da geral por oposição ao 31º. Mas não é por aí que vem mal ao mundo.

No final fica o que aprendi:

- calçado apropriado nestas provas faz toda a diferença.
- os treinos que tenho feito têm de ser re-adaptados. Apesar de me defender de modo decente nas subidas não posso ir treiná-las para as provas. É preciso encontrar um sítio onde tenha subidas longas para fazer durante os treinos ao contrário dos percurso de corta-mato que tenho andado a fazer. E não basta serem subidas longas, têm de ser muito inclinadas. Aprender o andamento neste tipo de terreno é meio caminho andado para as coisas correrem bem.
- o fartlek em corta-mato, tem dado resultado. Nas partes planas ou de sobe e desce pouco acentuado era onde conseguia mais facilmente ir buscar os da frente ou dar avanço para os que vinha atrás.
- a descidas têm de ser treinadas. Especialmente a posição do corpo e modo com as ataco. É impressionante o quão fácil é eu perder terreno quando estamos nestas partes das provas.

E pronto é continuar a treinar a aprender com as experiências. Para a semana há mais e mais dura!

Até lá, bons treinos e melhores corridas!

João

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Fim da Europa + 20 km de Cascais

Chegou tarde mas veio!

Com uma semana de atraso aí vem o resumo da minha participação no Grande Prémio Fim da Europa e aproveito e faço já a descrição dos 20 km de Cascais.

A corrida do Fim da Europa é provavelmente a minha prova favorita em Portugal pelo tipo de percurso e pela envolvente da mesma.

Depois de um aquecimento manhoso feito fui para a partida à espera do início. Partida dada e toca a subir serra acima. Não foi uma 1ª subida famosa, apesar de nos últimos tempos de ter andado a sentir bem as pernas não estavam a querer responder neste dia. É bem possível que a festança que houve no dia anterior com direito a pouco descanso possa ter condicionado alguma coisa.

Com base na resposta que estava a sentir, decidi "ouvir" as pernas e ir ao ritmo que elas me permitiam mas a tentar forçar. Se nas subidas não foi muito famoso, as transições para o plano correram melhor do que o esperado, algo que não é muito comum.
Subida inicial (Foto de AMMagazine)
A pior parte da prova foi, sem dúvida, a última subida antes de descer em direção ao Cabo da Roca. Penso que a diferença entre correr ou andar naquela zona era inexistente para mim naquela altura.

Depois de terminada a subida foi altura de dar corda aos sapatos e descer o mais rápido possível. Ainda deu para passar 2 atletas na descida antes de terminar a prova em 1:07:25 baixando cerca de 1 minuto em relação ao meu melhor tempo nesta prova e terminando como 13º sénior.
A meio da prova (Foto de AMMagazine)
Comparando os tempos, verifiquei que a melhoria de tempo foi toda feita na subida, uma vez que na descida fiz os mesmos parciais em cada km (mais segundo menos segundo). Considerando as coisas no global até que nem foi uma prova má.

Após a prova andei literalmente 4 dias com um andar novo, muito à custa da descida final da mesma. Ainda assim, fisicamente senti-me muito melhor em termos de andamento indicando que possivelmente cometi um erro de planificação para esta prova.

E com tudo isto, chegou domingo e os 20 km de Cascais, onde o objectivo era rolar à vontade para ritmo de 4:00.

Partida dada e seguimos em direção ao Guincho com imenso vento de frente. Nesta parte ainda dei várias vezes a malta que aproveitava a minha passagem para tentar colar em grupos mais à frente com menos vento contra.

Com ritmo certinho aos 10 km (40:50 de passagem por causa de um 1º km mais lento por ter arrancado lá de trás, sabia que depois da viragem iria ser mais tranquilo porque íamos ter o vento a favor. Assim foi. Após a viragem foi deixar as pernas irem à vontade e ajudar alguma malta que ia perdendo um pouco de ritmo.
Já perto da meta (Foto de Luís Clara Duarte)
No final um tempo de 1:20:12 dentro daquilo que estava previsto e planeado para este domingo.

E pronto agora é continuar a treinar para ver o que vem aí daqui por umas semanas.

Até à próxima, bons treinos e melhores corridas!

sábado, 19 de dezembro de 2015

Quando se corre na sauna

Já faz algum tempo que não escrevia nada no blogue. Tal deveu-se ao pouco tempo disponível para tal. Para compensar hoje sai uma coisa mais composta.

Ora durante o último mês estive fora de Portugal, mas concretamente fui para o Brasil em trabalho (para o bronze?). A estadia foi maioriamente na zona do Rio de Janeiro.

Depois de quase 9 horas de viagem e de me ter instalado no Rio fui fazer um treininho para desentorpecer as pernas. As diferenças para aquilo que estava habituado em Portugal eram óbvias pelo menos 27 ou 28 ºC de temperatura e muita humidade.

A primeira semana custou. Por mais lento que fosse sentia sempre que ia a puxar demasiado. Após cada treino e até à hora do almoço beber cerca de 2.5 a 3 litros de água não era incomum. A parte boa é que também havia água de coco à disposição.

Na zona do Rio onde eu estava (próximo de Copacabana e Botafogo) havia sempre os caminhos para os ciclistas que davam imenso jeito numa cidade onde parecem não haver grandes regras de trânsito. No fundo limitei-me a explorar toda a zona costeira da região fazendo uso destas ciclovias.

Na segunda semana da minha estadia havia um feriado duplo que começava a uma quinta. Decidi que iria usar esses dias para conhecer alguma região diferente. Mas como escolher o sítio? Toca a ir à lista de corridas e ver qual a que fica numa região que valha a pena visitar! Ficou assim escolhida uma das estapas do Circuito Fluminense de Montanha na região de Paraty. Depois de cerca de 6 horas de viagem para cobrir os cerca de 160 km de distância cheguei à cidade.

No dia antes da prova achei por bem tentar descansar ao máximo e foi isso que fiz.

Descanso activo!
No dia da prova mais uma viagem de cerca de 1 hora pelos caminhos rurais para chegar ao início da mesma. Como os autocarros para o sítio eram poucos cheguei cerca de 3 horas antes da prova o que me deu para me inteirar sobre a a mesma.

Esta fazia parte de um conjunto de corrida de trail da região e que vai rodando por todo o estado do Rio de Janeiro. Tentei ir saber mais detalhes do percurso e foi quando me disseram que era das provas mais técnicas e que tinha 2 subidas muito duras.

"Muito técnicas? Deve ser parecido com as de Portugal!". O problema era que tinha chovido torrencialmente na manhã desse dia e nos dias anteriores, tanto que a povoação estava ainda sem luz. Comecei a ver que toda a gente ia artilhada com equipamentos e especialmente com ténis de trail e eu comecei a desconfiar que os meus de estrada se calhar não iam ser os mais indicados... Mas também já não havia nada a fazer.

O meu objectivo da prova era basicamente fazer um treino mais durinho. Devido às condições que encontrei no Brasil não me precocupei em fazer treinos muito específicos. Basicamente foi rolar à vontade e de vez em quando abrir um pouco a passada no final dos treinos. Coisa interessante era que nos treinos sempre que ia para ritmos próximos dos 4:00 estava quase sempre a morrer, onde tudo me doia e não sabia porquê.

Depois de um mini-aquecimento começou a prova que continha 3 dentro de si: uma com 8 km, outra com 16 e outra com 24 km. A malta dos 8 arrancou forte e começou a esticar o pelotão. Dei por mim a seguir com eles sem problemas, até à zona onde eles seguiam por outro caminho.

Aí, mantive-me no grupo da frente e começaram as primeiras variações de terreno, mas até aí tudo fácil porque estavamos em terra batida. Ao fim de cerca de 5 km começamos a viragem para a entrada na mata Atlântica.

Aí sim, começou a doer. Cerca de 1 km de subida com inclinação média superior a 30%. Acho que corri uns 2 passos e acabou. Não dava. Além disso começou o meu outro problema a falta de aderência dos ténis ao terrenos. Depois de uns longos 12 minutos para fazer a subida chegámos a terreno mais fácil. E uma coisa me ficou a soar nos ouvidos que me disse um dos atletas que estava comigo na subida "Moço, você na descida vai-se ferrar".

Não tardou muito para ver ao que ele se referia. Depois de na parte menos técnica ter recuperado a distância que perdia na subida vieram a parte das descidas técnicas. E se quando são descidas fáceis já tenho pouco jeito, quando estas são a pique, com pedregulhos ou troncos no meio e ainda com a lama toda tipo barro lá metida não ia certamente ajuda.

Enquanto tive gente perto de mim não perdi muito tempo. Basicamente foi confiar no percurso que eles estavam a fazer e esperar que fosse correr bem. Mas de cada vez que fica no limbo entre ir com a boca ou chão ou sair do trilho e ir ribanceira abaixo perdia distância e confiança.

Assim foram cerca de 2 a 3 km, sempre com muito menos e com uma brutal inaptidão para o tipo de percurso. Na parte final desta secção, aconteceu o que eu esperava: queda. Quando estava a ir mais solto, acho que me entusiasmei um pouco e lá fui eu a deslizar uns bons 3/4 metros pelo chão. Garrafa de água perdida, mas não esperei. Levantei-me o mais depressa possível e continuei a correr para ver se a dor da queda não se manisfestava e isso acabou por ser um boa decisão.

Daí em diante foi tentar ao máximo recuperar o muito tempo perdido na descidas e a verdade é que até o consegui fazer. A sorte foi que deixou de haver tantas zonas com descidas técnicas pois o percurso era mais a subir. No entanto, sempre que essa subida era mais complicada lá ia eu a passo de caracol para não me espalhar novamente.

Antes da última subida grande do dia, via novamente o caso mais parado. Tínhamos de passar por um pedra a 45º bem lisa e com água a correr por cima dela. Lembro-me de pensar algo do género "Aquilo pode ser perigoso". Depois de metade da pedra já ter sido passada, o pé escorrega-me e fico agarrado só com as mão ao topo da mesma e com os pés a tentar puxar-me para cima. Não foi bonito mas acabei por me conseguir içar. Nem cerca de 30 segundos de eu ter saído daquela posição já lá estava outro desgraçado em igual figura. Penso que tal se deveu à muita chuva que cai fazendo transbordar o riacho naquela zona e que a organização não esperaria tal coisa.

Uma das partes boas desta prova é que nos permitiam passar po praias inacessíveis a não ser de barco, em zonas de uma tranquilidade tal que não havia onde e onde apenas se escutavam os animais da floresta. Valeu muito a pena por isso.

Quando faltavam cerca de 2 km para o final última subida do dia: novamente cerca de 1 km com inclinação médica de 30 a 35%. Aqui também não foi bonito. Tive a sorte de apanhar um atleta que fez o favor de indicar o melhor caminho na subida e novamente foram cerca de 12 minutos até acabar esse km.

Ora e se era 1 km a subir, faltava 1 km para terminar e aí era a mesma inclinação da subida, mas negativa. E aqui a minha táctica foi simples: ir a correr ribanceira abaixo até chegar a um árvore e agarrar-me a ela. Nada mais que isso. O problema é quando não haviam árvores grandes e me agarrava a um tronco que estava podre...

Foram outros 12 (!) minutos para fazer uma descida que num dia normal era para fazer em 1/4 do tempo! Mas se querem ver o meu jeito a descer basta atentar para a fotos abaixo relativas à descida final.
 


Todo um jeito a descer (foto de Corridas de Montanha)
E pronto, no final deu um 10º lugar da geral e um 1º do escalão. Não fossem outras condicionates (principalmente falta de ténis adequados a este tipo de provas) e teria lutado pela geral até ao fim como me disseram no final da prova.

1º lugar do escalão 
Depois foi regressar à civilização e continuar a treinar debaixo do calor abrasador do Rio. No final deu cerca de 3 a 4 kg perdidos (sendo que já estou no processo de os recuperar) e uma nova tonalidade de pele.

Agora em Portugal está este calor esquisito e água da torneira gela-me as mãos.

Amanhã farei a minha 1ª prova de estrada da época. Será para aferir o meu estado principalmente, pois ainda não comecei a fazer outra coisa que não treinos de corrida contínua.

Até à próxima, bons treinos e melhores corridas!

João

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

De volta! I Trail de Bellas

Pois é andei uns meses aqui afastado do blog, tal deveu-se à ocorrência de uma lesão durante as férias. Numa altura que andava a treinar muito bem e que parecia uma cabra (para não dizer uma asneira) a subir e a descer a Serra da Estrela uma rutura muscular obrigou-me a parar.

Resultado foram quase 2 meses parado e a fazer fisioterapia. Depois foi recomeçar a correr muito devagar (ainda agora não tem sido rápido) pois andava sempre com medo...

Ora os treinar têm servido para me ambientar novamente ao esforço físico o que de início não foi fácil. Lembro-me que na primeira semana fazer uma subida de 30 metros poucos inclinada e a ritmo de passeio acaba quase sem respirar... Mas isso foi passando e com o tempo tenho andando a fazer gradualmente ritmos mais rápidos.

Com base nesta nova preparação decidi acompanhar o meu pai (para me obrigar a andar devagar) a uma prova de trail que ele ia fazer, o I Trail de Bellas. O objectivo era andar sempre ao pé dele e nunca forçar pois estes percurso são sempre muito inclinados e neste momento é preciso ter calma.

Chegamos à partida e dão-me um dorsal. Ora eu que ia só para treinar (sem dorsal nem nada) comecei a ver que com aquele papel na mão podia ocorrer algo diferente, mas eu queria tentar manter-me sempre junto do velhote.

Ora dorsal na mão e toca a olhar para o mesmo e reparo 10 km+. E disse à malta que estava comigo: "mas vocês disseram que isto eram só 10 km e eu acho que tem mais" e pronto caiu-lhes a ficha e aí é que se aperceberam que afinal a prova tinha algo com 13.5 ou 14 km de extensão. Torci o nariz e ponderei não arrancar pois não queria fazer tanto kms, mas lá me fui dirigindo para a partida e fazer um ligeiro aquecimento.

Partida dada e arranco ao lado do meu pai, Até aqui tudo bem. 100 metros mais à frente começa a subir e eu olho para o lado e para trás e já não vejo o velhote em lado nenhum. Acabei a subida dei por mim nos 10 da frente. ""Humm, humm", pensei eu "isto não pode ser assim". O problema é que na realidade ia a andar devagar e estava a subir muito solto. Ao fim do 1º km decidi que ia aproveitar para deixar o corpo levar onde se pudesse.

Depois de mais um bocado às curvas no meio do matagal começamos a fazer descidas um pouco mais técnica e que tinha o piso muito molhado. Em terreno seco descer já é o cabo dos trabalhos para mim então assim pior era. Era agarrar-me a todas as árvores no caminho e esperar que elas aguentassem.
É só jeitinho! (Foto de Paulo Sezílio)
Depois de se fazer a separação entre as provas de 10+ e os 25+ km começaram os problemas. Ia eu a puxar pelo meu grupo quando dou por mim a chegar a um sítio por onde já tínhamos passado. Bolas! O grupo discutiu ali um bocado "estamos bem!", "falhámos lá atrás!", etc e decidimos regressar pelo que caminho que tínhamos feito. A olhar com mais atenção lá vimos uma sinalização escondida a descer e siga carregar para baixo.

Aqui foi altura de dizer muitas coisas feias pois as descidas eram muito íngrimes a lama não ajuda. Nem travar tentei era só o pé bater no chão e recolher. Descida feita e longa recta no meio do mato abrir a passada para recuperar os cerca de 3 minutos perdidos anteriormente.

Acabei por ficar sozinho pois nas subidas estava a sair bem e não tinha ninguém para me acompanhar. Nas descidas era tentar perder o menos possível se bem que só com alguém à minha frente a abrir caminho é que as coisas corriam mais ou menos de jeito.

No meio de um sobe e desce constante torno novamente a ficar à frente de um grupo. Esse avanço acabou por ser perdido numa das descidas mais técnicas (e perigosas) da prova. Basicamente tive de sentar o rabo no chão só para garantir que aquilo não saia mal. Acabada essa parte torno a liderar o grupo e novo engano! Fomos dar a uma estrada que por não ter o trânsito cortado indicava que estávamos no caminho errado. Meia volta e todos os que vinham atrás viraram também, logo fiquei eu na cauda do grupo e a ter de recuperar tempo e distância preciosos. Nesta altura estávamos com cerca de 12 km de prova (teóricos) e as já davam sinal de algum cansaço.

Depois de fazer nova recuperação para a frente do grupo foi altura de atacar o muro do dia: mãos e jolhos no chão e siga trepar aquilo. Foi giro, pena os 2 kg de terra que vieram agarrados aos ténis após isso.

Bastava agora um esforço final em estrada e descer na direção da meta. Essa descida era feita no meio de mata rasteira o que deu para fazer uns quantos cortes nas pernas. Meta à vista e prova terminada. No final acabei em 10º lugar e com cerca de 1 km a mais feito (e cerca de 6 minutos de tempo perdido com os enganos).

Fim da prova (Foto Runners Dream Moments)
Foi bom, giro e diverti-me. A prova era dura qb e a zona um espectáculo.

Agora siga continuar a treinar!

Até à próxima, bons treinos e melhores corridas! :)

domingo, 9 de agosto de 2015

Faz hoje um ano!

Em que me meti na minha maior aventura desportiva: ENDURrun 2014! Foi uma semana bem dura mas que no final me permitiu ser "One Tough Runner"

E hoje começou a edição de 2015 e pelos vistos vai ser novamente muito renhido.

Aqui ficam as recordações:

Preparação para a prova

Etapa 1 - Meia-maratona

Etapa 2 - Contra-relógio 15 km

Etapa 3 - Corta-mato 30 km

Etapa 4 - 10 milhas sobe e desce

Etapa 5 - 25.6 km corta-mato de montanha

Etapa 6 - Contra-relógio 10 km

Etapa 7 - Maratona

O resumo da prova

Galeria fotográfica

E pronto foi muito isto.

Pode ser que um dia se torne a repetir!

Boas férias e bons treinos!